DEIXA O HOMEM

A PARTIR DE QUANDO SE PODE CRITICAR UM PREFEITO?

o BORDÃO

09/01/2021 10h31Atualizado há 5 meses
Por: REDAÇÃO

Por Lúcio Lacerda

 

 

Essa pergunta surgiu quando ontem, ao fundar o grupo de whatApp ”Poderoso Chefinho”,  em alusão a juventude e inexperiência do Prefeito de Cacoal Adailton Fúria, alguns de seus correligionários responderam a algumas questões sérias que foram postas, no meio de muitas brincadeiras, com o seguinte bordão: “ Deixa o Homem trabalhar”.

Eu disse no dia em que soube do resultado  das eleições que Furia teria seis meses de quase império, em termos de relacionamento com o  legislativo,  dada a sua grande representatividade nas urnas, mas isso não quer dizer que teria uma imunidade pra fazer as coisas de qualquer jeito sem sofrer críticas.

Em rigor, quando um político quer se conduzir suavemente, sem grandes resistências, deve escolher caminhos intermediários em questões polêmicas, e já na primeira semana do governo Fúria, três delas já se apresentaram. Todas debatidas sob a égide do bordão que invoca a liberdade do prefeito para trabalhar.

“Deixa o homem trabalhar” é uma expressão que encerra um salvo conduto para fazer tudo o que se queira,  e isso não se pode admitir, eis que deixa-lo trabalhar, livre de críticas, é conduzi-lo a situação de abuso, vereda por que trilha invariavelmente todo o governante que não encontra oposição aos seus propósitos, e crianças cujos pais não lhes põem limites.

O Secretário de Agricultura, trazido de Castanheiras, além de ser alienígena, e não agricultor da cidade, o que seria conveniente para o exercício desse cargo, cujo desempenho depende de conhecer cada pessoa, linha, carreador, lavoura, nascente e mata burro que exista na área rural da cidade, ao que se sabe, foi condenado em diversas ações em que sua honestidade e capacidade de gestão foram questionadas pelas autoridades, e condenado ainda  pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia, por verdadeira lambança administrativa no município de Castanheiras, de apenas 3500 habitantes. O universo rural de Cacoal é mais complexo que o município inteiro em que o secretário foi prefeito.

Quanto a Ação Popular questionando esse secretário e sua nomeação,  o prefeito nada disse, mas seus apoiadores, quanto a isso e a tudo mais respondem: “ Deixa o Homem Trabalhar”?

Digam-me os senhores leitores se deixar ele trabalhar é deixar ele manter esta equipe, com este e outros problemas, sem nada reclamar?

A Lei proíbe a nomeação de ficha suja para o serviço público. Tanto a Lei Orgânica, quanto a Lei 2855/2011, quanto constituição estadual e quejandas.

Podemos deixar alguém “trabalhar” descumprindo a Lei que é o fim e a razão do serviço público?

Isso é um eufemismo porque ninguém impede o prefeito de trabalhar, ninguém lhe segura as mãos ou aprisiona sua vontade, mas o que querem dizer é “ deixem de criticar o prefeito”.

A Covid 19 é uma ameaça ao município de Cacoal por vários motivos que vão desde a indisciplina de parte da população quanto as prevenções sanitárias até a condição de sede da 2ª macrorregião de saúde na logística do Estado para o combate da pandemia.

Diante deste quadro o prefeito anunciou ao mesmo tempo, o aumento das horas de aglomeração em funerais e velórios, assim como aumentou o limite de pessoas presentes a cerimonias fúnebres de 20 para 50, e a construção de um hospital de campanha improvisado em um prédio do Estado.

Alguém tem que dizer a ele que estas duas medidas são contraditórias e que as linhas defensivas são mais importantes que o combate em campo aberto. É melhor controlarmos os casos e a evolução da doença que apostarmos todas as nossas fichas nas políticas de tratamento de alta complexidade, porque independente do esforço que fizermos, sempre há a possibilidade de os casos serem superiores que a capacidade de um hospital de campanha, se essa política não vir acompanhada de ações de prevenção que limitem de alguma forma o alastramento da doença.

Adiante, reservando o direito de depois passar a saber qual é a infra estrutura e equipamentos que serão destinados a esse hospital, a conferir se é pra valer ou se é só factóide

Ao mesmo tempo também, em que se anuncia a implementação do hospital de campanha, o secretário de educação faz uma live convidando os pais de alunos para a rematrícula na escola, informando o início das aulas, sem com ninguém conversar a respeito disso. Sem ouvir a sociedade, especialmente pais e professores.

Desse jeito, não tem hospital de campanha que aguente.

O Estado de Rondônia acaba de publicar a atualização da taxa de desenvolvimento da doença nos municípios de Rondônia e Cacoal aparece na fase III, com crescimento de 26,56% em relação a doença, taxa de ocupação de leitos de 83,10% e 232 casos novos de Covid na última semana que foi de festas.

Com esse crescimento e essa taxa de ocupação de leitos, como o prefeito espera frear a calamidade que se avizinha apenas criando hospital sem atentar-se às políticas que devem impedir o aumento de casos?

Estaria ele desafiando o vírus? Vem Corona que eu tenho um hospital prontinho pra você!!

Isso é loucura.  Pelo menos eu acho que seja.

Mas de qualquer forma, os resultados destas ações do prefeito serão sentidos por todos nós.

Se você acha que está correto, “deixa o homem trabalhar com absoluta liberdade”, se acha que não está correto, “deixa o homem trabalhar sob a inspiração das críticas” que emergem das ruas com a legitimidade que a cidadania impõe.

A hora de criticar um prefeito eleito, é a partir do momento em que ele decide algo pela primeira vez, pois não há nada que esteja oculto, que não venha a ser revelado, e neste momento de nossa história não há nada que um prefeito possa fazer que seja totalmente inofensivo ao futuro. Temos que estar perto e atentos sim.