FURIA GOVERNADOR

FÚRIA GOVERNADOR, O BOLSONARISMO E OS CANHÕES DO ESTADO

FÚRIA JÁ É ACLAMADO NAS REDES SOCIAIS E O PRINCIPAL MOTIVO É DESAFIAR O GOVERNADOR EM SUAS LIVES

22/03/2021 16h07Atualizado há 3 meses
Por: REDAÇÃO

                                                                                                                        Por Lúcio Lacerda

 

 

A recente viralização dos vídeos do prefeito de Cacoal Adailton Fúria, em que o mesmo resistia bravamente as disposições do decreto estadual sobre prevenção em meio a pandemia da covid 19 e distanciamento social, trouxe, sem sombras de dúvidas, complicações aos demais prefeitos dos demais municípios de Rondônia, dada a grande abrangência e alcance desses vídeos.

Rondônia, não é segredo, é das unidades da federação que, proporcionalmente,  mais deram votos a Bolsonaro, e aqui, como em outros lugares, criaram-se núcleos de apoio ao presidente, com ampla e intransigente adesão de suas diretrizes ideológicas, por assim dizer.

Não sejamos ingênuos, a viralização dos vídeos do Fúria tem como causa uma demanda ideológica que fora, ainda que tardiamente, reprimida pela realidade da saúde, obrigando o agente político a contrariar certas vozes das ruas.

Este cenário, em que a ideologia é suplantada  pela inconteste necessidade de distanciamento social mais rigoroso, força o administrador público a abandonar os discursos demagógicos, e a proceder com responsabilidade e cautela.

Mas os ideólogos da cloroquina e da ivermectina, que incrivelmente são os mesmos que recusam a vacina, não deixam de existir só porque  a maioria dos gestores são tomados por uma onda de lucidez forçada. Eles continuam a existir, e a bradar, cada vez mais alto, como convém a um fanático que se preze.

Nesse ambiente de miniuns órfãos de seu malvado favorito é que o prefeito Adaílton Fúria, que, apesar de ter sido eleito na chapa que que reuniu quase todos os partidos de esquerda de Cacoal,   viu a oportunidade de adotar, em todos os municípios do Estado,  os filhos abandonados do negacionismo da alt right rondoniense, e viabilizar seu nome para o governo do Estado em 2022.

Não sem protestos dos demais prefeitos,  que em recente reunião com o Governador Marcos Rocha deram vazão a essa mágoa,  atacando o jovem prefeito da Capital do Café.

Sei que 10 em cada 10 adeptos da cloroquina no Estado de Rondônia, estão se manifestando com ímpeto e energia nas redes social por Fúria Governador em 2022, já que ele foi o único prefeito a ousar descumprir o decreto do Governador Marcos Rocha, e isso os encheu de esperança e motivação.

Sinceramente eu não sei sobre o que será dito quanto a uma nova interrupção de mandato, e nem se será preciso dar uma satisfação, já que esse tipo de coisa é bem digerida pelo povo rondoniense. Também não sei se esses órfãos da cloroquina terão voz após 2022, o que esvaziaria por completo a própria legitimidade fundada nesse discurso, mas já antevejo que o Governo do Estado de Rondônia e os demais prefeitos dos municípios rondonienses vão ter que fazer uma opção. Ou permanecem bolsonaristas e negacionistas e disputam com Fúria esse nicho de mercado eleitoral, ou realinham seus discursos para a lucidez e a razão, indo buscar votos  mais conscientes e responsáveis.

Afinal, 2022 tende a ser um divisor das águas no que se refere a certos discursos assimilados nos últimos 2 anos e a essa altura ninguém deve duvidar disso.

Por fim, como reação às provocações que Fúria vem fazendo, por todos os meios que ele encontra, eu temo que não demora  o Estado de Rondônia, tal e qual um justiceiro otomano sitiando os portões de Bizâncio,  aponte seus canhões para o jovem alcaide, a testar se sua higidez moral e proficiência administrativa coadunam com sua reputação levada ao povo através de suas lives.

Esses canhões não precisam ter um operador em particular. São do Estado. Podem ter suas centelhas iniciais deflagradas pelo MP, pela Polícia ou pela própria sociedade.

Em política, sempre que alguém se mostra muito dotado de virtudes, proclamando-se melhor que outros, desperta a curiosidade de ver as coisas mais de perto.

Como diz meu amigo Xavier, as vezes a gente tem que quebrar o coco, pra saber por que é oco. Abrir a ostra, para ver a pérola, ou simplesmente, bater o ovo pra ver se vira omelete.

Quem não tem bunker, que não chame o meteoro.