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COM TESE DE ANULAÇÃO DE SORTEIO ENFRAQUECIDA PREFEITURA BUSCA VIA ALTERNATIVA PARA MANTER CERTAME REALIZADO PELA GESTÃO PASSADA SOB SUSPEITA

POR LÚCIO LACERDA

12/04/2021 14h23Atualizado há 5 meses
Por: REDAÇÃO

É muito triste quando percebemos que interesses sociais da maior relevância são transformados em cartas de jogo político, especialmente quando em nome de uma disputa política o futuro de centenas de pessoas é colocado em risco sob simples retórica jurídico legal, como está ocorrendo com o sorteio das casinhas populares do Residencial Cidade Verde em Cacoal.

Com amplo apoio político pela validade do sorteio, independente de qualquer falha na comunicação do Município com o Ministério do Desenvolvimento Regional, com adesão por parte do legislativo municipal, da opinião pública e até de lideranças políticas como Expedito Júnior e o Deputado Federal Expedito Neto, que enfraqueceu a tese de invalidade do sorteio por irregularidade burocrática entre Município e MDR, a prefeitura coloca para andar procedimento alternativo que pode culminar na anulação do sorteio.

Trata-se de uma  investigação sobre o computador usado para realização do sorteio e cuja posse estava com  Presidente dos Conselhos vinculados a SEMAST, José Carlos Dias dos Santos.

No dia da realização do sorteio, que foi transmitido ao vivo para mais de 20 mil pessoas em simultâneo, foi utilizado um aplicativo de seleção aleatória e números, e em alguns momentos, no sorteio de pequenos grupos, foi repetido alguns nomes, o que gerou certa desconfiança por parte de quem assistia o evento que contou com a participação de vereadores, conselheiros municipais, membros da comissão de transição, defensoria pública e demais autoridades.

O Secretário Municipal de Assistência Social na época, Elias Moisés, disse que a questão da repetição de alguns números ( vinculados a nomes) se deu em um dos grupos de pessoas, porque o número de casas era pouco maior que o número de pessoas em disputa naquele grupo, pois qualquer que fosse o padrão randômico do aplicativo, haveria repetição já que o sistema não excluía os números já sorteados, mas que isso não compromete a lisura do certame.

De qualquer forma, Elias Moisés resolveu lacrar o computador e, com a assinatura de várias autoridades presentes no evento do sorteio, lavrar uma ata em que nomeava como fiel depositário do computador lacrado, o Sr. José Carlos Dias da Silva, com quem o aparelho esteve até o último sábado, até o cumprimento de um mandado judicial emanado da 1ª Vara Criminal de Cacoal.

O prefeito Adailton Fúria, na manhã desta segunda se reuniu com algumas das pessoas sorteadas no referido programa de habitação, onde insistiu em dizer que não é ele quem quer cancelar o sorteio, mas que é o Ministério do Desenvolvimento Regional que impõe essa anulação do sorteio.

O prefeito, juntamente com a secretária Michelle Pavani,  também acusou a gestão anterior de estar enganando a população,  e relatou a busca e apreensão do computador e sugeriu que o Sr. José Carlos  estivesse cometendo crime de apropriação indébita pois em sua opinião o computador não poderia estar na casa, mas obrigatoriamente na prefeitura.

Entrei em  contato com o Sr. José Carlos, que é Presidente Municipal dos Conselhos, que relatou que ele, como fiel depositário do computador, poderia levar o computador para onde estivesse presente, desde que mantido o lacre, pois a responsabilidade sobre o mesmo ficou sobre suas costas, e que deixar em uma sala na prefeitura pode ser muito mais perigoso que leva-lo  pra casa, como ficou provado pela invasão da sala dos conselhos, pela atual Secretária de Ação Social, Michelle Pavani, que com um chaveiro, violou fechadura de uma porta da Sala dos Conselhos, que são independentes e não estão sob autoridade hierárquica da secretaria. “Crime é invadir a sala dos outros” disse o Presidente dos Conselhos.

 

A reunião do prefeito com 10 das 300 pessoas sorteadas no programa habitacional do residencial Cidade Verde, mantém o assunto em suspenso, enquanto a Secretária Michelle Pavani empreende esforços em uma frente de ação que coloca em dúvida de ilegalidade, não os procedimentos junto ao MDR, mas o próprio sorteio, o que na prática, cria mais uma possibilidade de  se evitar a entrega das casas as pessoas sorteadas.

Nos meses de novembro e dezembro de 2020, quando já fixada a data para o sorteio, o então prefeito eleito Adailton Fúria procurou pressionar a então prefeita Maria Simões, através de sua comissão de transição,  a não realizar o sorteio e deixa-lo para que fosse realizado em seu governo. Não obtendo êxito em negociar o adiamento do sorteio, chegou a tentar evita-lo tanto através da Caixa Econômica Federal em Porto Velho, quanto pelo próprio MDR,  o que gerou os e-mails que ele apresentou na live que tornou público a não validade do sorteio.

As palavras do prefeito, da secretaria e de alguns vereadores são engenhosamente articuladas para fazer parecer que todos eles são vítimas do MDR e da gestão passada, mas a verdade que salta aos olhos é a de quê essa administração quer cancelar de qualquer jeito esse sorteio, e não sendo possível arguindo falha na comunicação com o MDR, uma nova chance é perseguida, que é transformar o computador em caso de polícia.

Se essas pessoas sorteadas conseguirem vencer essa parada, merecerão não apenas a casinha, mas também a mobília, acabamento de primeira e um carro na garagem.