A FÚRIA

PORQUE TODOS OS PREFEITOS DE RONDÔNIA INVEJAM ADAILTON FÚRIA?

O SUCESSO SEMPRE FOI SEU COMPANHEIRO INSEPARÁVEL

14/04/2021 04h34Atualizado há 2 meses
Por: REDAÇÃO
Marco Licínio Crasso
Marco Licínio Crasso

                         Por Lúcio Lacerda

 

Tudo é ambivalente. Quer dizer, dual e ambíguo.

Todas as coisas na natureza possuem duplo efeito e dupla função.

O Sofrimento do corpo produz músculos, e o sedentarismo, gordura.

E músculos e gordura são importantes.

A natureza nos informa a todo instante que o equilíbrio é o lugar ideal a se perseguir.

Clima bom é àquele que não é nem muito frio nem quente demais. A justa medida do trabalho é àquela em que é possível alternar repouso e movimento.

Essa introdução “zen” é para começar a expor minha análise sobre Adailton Fúria, o jovem prefeito de Cacoal. Uma vítima do desequilíbrio cuja maior vantagem é também sua maior fraqueza.

Embora seja verdade que quase todas as pessoas procurem uma vida em que só haja coisas boas, através do consumo e das práticas que aumentem o bem-estar, uma reflexão um pouco mais profunda conduzirá a conclusão de que o bom mesmo é ter uma equilibrada alternância entre bem-estar e mal-estar.

Não fosse assim não dedicaríamos um segundo a exercícios físicos, que em geral são desconfortáveis e dolorosos, mas toleramos por causa dos benefícios físicos e estéticos que dele decorrem. Eu nunca senti o tal êxtase da endorfina.

E não se perca de vistas que é somente através das sensações ruins é que podemos calibrar o julgamento sobre o que é agradável e desagradável. Dizem que toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor.

Mas o que o prefeito Fúria tem a ver com isso?

Tudo, na verdade. Ao menos para os efeitos dessa análise.

Fúria tem duas qualidades mal calibradas que juntas, fazem dele uma pessoa altamente vocacionada ao desastre pessoal.

Lhes digo quais são: Juventude e sucesso.

Claro que eu não sei de todos os aspectos da vida de Adailton Antunes, mas eu sei que, de família pobre, nasceu em 1986 e teve uma meteórica carreira política até chegar ao cargo de chefe do executivo de uma cidade de quase 100 mil habitantes.

Mal saiu da adolescência já iniciou sua carreira política como vereador do município de Cacoal e em menos de 10 anos foi deputado e prefeito.

Politicamente tudo deu certo pra ele. Certo demais. Demasiadamente certo.

Tão certo que não teve tempo de ter contato íntimo com a derrota, senão pelo pequeno revés de sua candidatura a prefeito em 2016, que tendo sido bem votado, aos 30 anos de idade, em primeira candidatura a prefeito, mais ganhou que perdeu.

Ganhou inclusive uma experiência em particular. Experiência com campanha eleitoral,  e tendo possivelmente aprendido com os erros que certamente cometeu desta feita, cuidou de não os cometer dois anos depois, quando se candidatou a deputado e venceu.

Inobstante, ele parece não ter aprendido muito sobre responsabilidade institucional, enfrentamento das frustrações e controle da impulsividade.

O problema de as coisas darem muito certo em determinadas áreas da vida, sem a ocorrência de alguns choques necessários, é que não se aprende, pois nas vitórias nada se aprende.

O comportamento humano é evolutivo, e tendemos a repetir tudo o que deu certo, as vezes ignorando que as circunstâncias de emprego da repetição não são as mesmas do feliz pretérito.

Nada contra as coisas darem certo pra alguém, não se trata de um juízo de inveja, mas é que os resultados perenes do sucesso dependem da interação entre oportunidade e preparo.

E o preparo é um aço forjado no erro, na dor, no fracasso, no insucesso e principalmente na perseverança. E toda forja precisa de um ferreiro com conhecimento do ofício.

Se a vida e a trajetória, por qualquer razão, flui para sequencias de vitórias sem os ingredientes amargos necessários a boa formação do caráter, tudo pode degringolar na primeira oportunidade em que um problema para o qual não se estava preparado surge.

Então, nosso jovem prefeito, não por má vontade e nem culpa sua, se torna um bravateiro gabarola, inimigo de todos os adversários, intolerante a crítica, desprezador de conselhos e incrivelmente imprudente na gestão da cidade, por absoluta falta de conhecimento sobre os resultados disso, quando se está exercendo poder concentrado de prefeito,  autoridade máxima de uma comunidade, e não apenas de um grupo.

Quando se é parlamentar, em qualquer de suas modalidades, representa-se, em tese, um grupo ou setor da comunidade, não havendo a necessidade de conciliar interesses, pois que a defesa fracionada de certos interesses é ínsita a função legislativa. Tanto que existem bancadas ruralistas, evangélicas, sindicais e tantas quantas os grupos específicos de uma sociedade complexas puderem eleger.

A bravata, a crítica, e os exageros verbais são igualmente inerentes a função parlamentar, tanto que protegidos os pronunciamentos da edilidade enquanto no exercício do mandato.

Mas quando se é prefeito, é necessário um recato, uma compreensão de que você, nesta condição, é um só, e é para todos. Todos mesmo. Adversários, amigos, correligionários, pobres ricos, empresários, operários, esquerda, direita, bonito e feio. Só há um prefeito, e é pra todos e por todos.

Um parlamentar tem uma visão fracionada de perspectiva. Um prefeito, governador ou presidente olha o panorama geral, de um monte alto, de onde se vê o todo, formado por cada particular .

E é por isso que um chefe de executivo não deve ficar criando problemas todos os dias com seus adversários pelo simples fato de ser criticado. A crítica também é ambivalente, como qualquer outra coisa, se for bem digerida te mantém vigilante e pronto para boas respostas, se aprender amiúde a entende-las em suas espécies e intenções.

Todo bom gestor tem que  saber que a sua vontade de inovar deve se deter com sabedoria diante de tradições e práticas bem-sucedidas implementadas antes de sua chegada. Afinal nem toda ideia nova é uma boa ideia. Em geral, posso dizer com minha experiência que a primeira ideia, quase nunca é a melhor ideia. Não existe nenhum sistema, por mais obsoleto que possamos julga-lo, que não tenha algo de bom, útil e eficiente.

Além disso, a vontade de inovação revolucionária, mais dia menos dia,  sempre acaba por entrar em algum lugar escuro, onde não se pode andar com segurança. Quem aprendeu isso tem sempre mais cuidado com mudanças bruscas.

O prefeito Adailton Fúria, em 100 dias de mandato, não demonstrou ter conhecimento de nenhuma das cautelas mencionadas  nos parágrafos anteriores. Nenhuma.

Apenas na noite de ontem, 13 de abril, ele foi conceder uma entrevista a um programa de TV em que cometeu os seguintes erros:

    1- Intrometeu-se em assunto privado, criticou não apenas um advogado mas toda uma classe profissional, da qual ele mesmo faz parte, ainda que não tenha exercido.

 

    2- Insultou pelo menos dois gestores municipais que ocuparam o executivo antes dele, ambos pertencente a essa comunidade, votados outrora por esta comunidade, e como ele próprio, filhos imersos desta cultura.

 

     3- Insultou um de seus críticos, que vive na cidade e é eleitor há quase 5 anos dizendo que caiu de paraquedas, e que, portanto, é pessoa não digna de confiança pois pode vir a mudar de cidade de inadimplir compromissos eventualmente assumidos na cidade. ( isso em abstrato, sem apontar uma única causa de desconfiança, senão o fato de a pessoa ter vindo de fora).

 

     4- Insultou seus adversários da disputa eleitoral reputando-os pessoas más que querem destruir a cidade por que lhe criticam.

 

Este tipo de forras, ainda que em certos grupos da sociedade possam ser bem toleráveis, não são convenientes aos prefeitos.

Um prefeito não tem o direito de segregar a sociedade entre nós e eles. Nem de decidir quem é bom e quem é ruim.

Dois dias atrás o prefeito gravou uma live dizendo que seus adversários querem difamar o município, não porque disseram qualquer coisa de ruim sobre o município, mas porque lhe criticaram, como gestor.

O prefeito certamente, por muito sucesso que teve em sua fresca e jovial trajetória, não teve azo de aprender causa e efeito, que informam a necessária ocorrência de uma forte reação a ações igualmente fortes.

Diga-se, ninguém é tão forte assim que não tenha pontos cegos de atenção, e quem está no poder sempre tem muitos flancos de vulnerabilidade.

Muito daquilo com o quê o prefeito gasta suas energias são coisas absolutamente desnecessárias, e outras decisões, temerárias.

Entre o dispensável e o imprudente o mandato do prefeito de Cacoal vem sendo tocado há mais de 100 dias, com especial destaque para os excessos de linguagem e de energia gastos com seus adversários que considera inimigos, e que se não forem, acabam por se tornar.

A melhor maneira de ter um bom amigo é sendo um, e o contrário é verdadeiro. O problema é que um prefeito tem um milhão de temas para administrar, em bem do povo, e enquanto aprofunda inimizades através de insultos e acusações, os seus adversários, por lei natural, procuram meios de lhe devolver o golpe sofrido em consórcio conspiratório, já que o alcaide sempre arranja inimigos em lote.

Nem vou falar o fogo amigo e da quantidade de traidores próximos que ele nem imagina que tem.

“ Quando forem me bater, que façam para derrubar”, desafiou o prefeito por duas vezes desde que assumiu o mandato.

Sou forte que nem cobra coral, mas jamais faria um desafio desses a meus inimigos.

As disputas discursivas entre as pessoas, principalmente se avizinhadas por profissão, comunidade ou parentesco, devem ser dentro de tais limites que sempre possa ser possível um olhar nos olhos ou um aperto de mãos algum dia, porque o ódio distribui uma destruição que o amor não é capaz de reconstruir na mesma velocidade.

Autocrítica, tolerância, análise de consequência, moderação discursiva, humildade diante do desconhecido e bom senso são deveres do administrador público, mesmo que estas qualidades faltem a todas as outras pessoas, mesmo que tenha faltado a si próprio antes de assumir o cargo.

É que o outro que dirige uma crítica, ainda que ácida ou inconveniente ao administrador, a ele não se compara, de modo que quem está acima, na liderança, não se rebaixa para defender-se, salvo se não tem mesmo a estatura necessária ao exercício desta liderança que com certeza terá se dado de forma acidental.

Por fim, concluo, o Adailton Fúria é assim porque teve pouco fracasso e muito sucesso, sobretudo eleitoralmente, e é por isso que todo seu raciocínio é eleitoral, e todas as suas decisões, brigas, discursos, ações e afetos gravitam em torno destas questões eleitorais.

Ele mesmo disse, mais de uma vez só nesta semana, as pessoas querem destruí-lo para vencer as eleições de 2022.

Na sua ultima live disse que o plano de vacinação visa ampliar a "votação em massa"  eu até agora não sei se foi ato falho.

Esse menino só pensa “naquilo”,  que se enfia na urna.

Um pouco de fracasso não lhe teria feito mal, pois então não teria de pagar doravante o preço desse aprendizado.

Tem males que vem pra bem, dizia minha finada mãe ( que Deus a tenha), em sua grande sabedoria. Ela sabia que não raro,  coisas excelentes surgem de momentos de dor e perplexidade.

Iguarias como o macarrão, a feijoada e a polenta, surgiram de criativo improviso em momentos de grande fome. A infectologia tem seu nascedouro em meio a grandes dizimações humanas em tempos de terríveis pestes, eis que das trevas se chega à luz, e quem sabe se, em consequência do muito exercer a  Fúria,  não se possa alcançar, com razoável preço a pagar,  a serenidade e a benevolência que é tão providencial aos homens públicos?