Opinião

OS ERROS DE MIDAS E O GOVERNO BRASILEIRO

POR LÚCIO LACERDA

18/07/2021 13h19Atualizado há 1 semana
Por: REDAÇÃO

Midas, o ambicioso rei da Frígia um dia se encontrou com Dionísio, o deus do vinho e dos prazeres mundanos, e lhe pediu como retribuição por ter acolhido e protegido o ébrio Sileno, que lhe concedesse o dom de transformar tudo o que tocasse em ouro.

Dionísio consentiu, embora pesaroso por não ter ele feito uma escolha melhor.

Midas seguiu caminho, jubiloso com o poder recém-adquirido, que se apressou a pôr em prova. Mal acreditou nos próprios olhos quando viu um raminho que arrancara de um carvalho transformar-se em ouro em sua mão. Segurou uma pedra; ela mudou-se em ouro. Pegou um torrão de terra; virou ouro.

Sua alegria não conheceu limite e, logo que chegou a casa, ordenou aos criados que lhe servissem um magnífico repasto. Então verificou, horrorizado, que, se tocava o pão, este enrijecia em suas mãos; se levava comida à boca, seus dentes não conseguiam mastigá-la. Tomou um cálice de vinho, mas a bebida desceu-lhe pela boca como ouro derretido, sua filha tocou nele e se transformou em ouro.

Consternado com essa aflição sem precedentes, Midas lutou para livrar-se daquele poder: detestava o dom. Tudo em vão, porém; a morte por inanição parecia aguardá-lo. Ergueu os braços, reluzentes de ouro, numa prece a Dionísio, implorando que o livrasse daquela destruição fulgurante.

Dionísio, divindade benévola, ouviu e consentiu.

Após os eventos envolvendo o toque de ouro Midas abandonou a riqueza e virou um seguidor de Pã, deus dos bosques (deus do ovo). Um dia Pã afirmou tocar melhor do que Apolo, e o deus do Sol,   aceitou fazer um duelo com Pã, julgado pelo deus Tmolo.

Pã agradou a todos com sua flauta, mas, após Apolo tocar sua lira, Tmolo deu o prêmio a ele. Midas indignou-se, questionou a decisão e Apolo enfurecido deu a Midas orelhas de burro.

Midas cobriu-as com um turbante para seus seguidores não o perceberem. Apenas o barbeiro sabia das orelhas, e devia guardar segredo. O barbeiro não estava a conseguir e, para satisfazer a sua vontade, cavou um buraco e disse “O Rei Midas tem orelhas de burro!” dentro deste e cobriu-o de terra. Porém nasceram lá vários juncos que sempre que eram abanados pelo vento diziam aquela frase, e, assim todo o povo ficou a saber aquele segredo.

Tríplice moral da história:

       1-  Um governo não deve pensar só em riquezas.

          2- A arte não é ideológica, mas julgada do alto (Tmolo era o deus das montanhas)

          3- Não se pode esconder orelhas de burro