Por Kakaw Fernandes

DEU BODE EM CACOAL - QUAL O SINGNIFICADO DO DESPACHO EM FRENTE AO BANCO DO BRASIL?

APELANDO PARA EXU

13/08/2021 18h04
Por: REDAÇÃO

Para surpresa de cacoalenses, um despacho bizarro foi encontrado na esquina do Banco do Brasil, em plena sexta-feira, 13 de agosto.  Um  “ebó” com farofa, cabeça e patas de um bode foi objeto de surpresa, admiração e até receio supersticioso de alguns cidadãos.

. Curiosos, tentamos descobrir qual a intenção por trás de tal oferenda. A mais interessante explicação encontrada foi em um blog chamado "Juntos no Candomblé", que explica, através de uma lenda,  o porque se mata bode para Exú.

 Antes de partimos para o mito e para quebrar o preconceito com as religiões de matriz africana praticadas no Brasil, cabe ressaltar que no Candomblé, Exú não é o demônio, o cramulhão. É o Deus dos Caminhos, o mensageiro dos Orixás, a esfera, o elo que liga  homens aos deuses, aquele que abre, que inicia os rituais, que encontra-se além do bem e do mal.

Como guardião da estrada e dos caminhos, Exú aponta e direciona, transporta e comunica os mundos. Por isso as oferendas a essa entidade devem ser feitas nas encruzilhadas que simbolizam os sete caminhos de Exu (além das quatro vias óbvias temos o caminho para cima, para as profundezas e para dentro de si mesmo).

 Mas por que sacrificar o bode?

 Em um dos mitos conhecidos, conta-se que o bode tornou-se a principal oferenda para Exú por causa de um débito com o Rei da Morte, um aborrecimento causado por Imoton ou “sabe-tudo” filho de Orunmilá - Senhor dos Destinos.

 Para testar a sabedoria de Imoton, o Rei da Morte deu-lhe um bode para que ele o criasse para ele, ordenando que anualmente ele trouxesse as crias, os filhotes gerados pelo bode.

Orummilá pensou em comprar uma cabra para viver com o bode, mas Exú alertou que o Rei da Morte não aceitaria essa abordagem. Exú convence Orunmilá a lhe dar o bode para comer afirmando que saberia o que fazer quando chegasse a hora de levar os cabritinhos para o Rei.

Quatro anos passados desde então,  o Rei da Morte mandou uma mensagem para o filho de Orunmilá, para que lhe trouxesse o bode e as crias. Para resolver o problema, Exú pediu que lhe comprassem outro bode que ele também matou e comeu, deixando somente uma de suas patas e a cabeça.

Exú usou a pata para marcar pegadas no chão, simulando uma grande quantidade de bodes e arrumou cordas que em tese estariam amarrando os ditos caprinos.

Em seguida, acompanhou Orunmilá para responder ao Rei da Morte. Chegando lá, para justificar a ausência do bode e dos cabritos, Exú explicou ao Rei que foram atacados no caminho por um bando de bandidos armados que roubaram o bode e seus filhotes, só lhes sobrando as cordas e a cabeça e uma pata do bode original, morto e devorado pelos famintos malfeitores. O Rei da Morte dirigiu-se a Exú dizendo que ele pagaria perpetuamente pelo bode. Exú então, reuniu as duzentas divindades e disse-lhes que, daquela data em diante, se quisessem paz e prosperidade, deveriam sempre lhe oferecer bodes como oferenda para que ele resgatasse seu débito com o Rei da Morte.                                                                 

Será que o bode de Cacoal foi  oferecido estrategicamente a Exú,  numa encruzilhada onde localiza-se uma das principais agências bancárias da cidade em troca de prosperidade financeira? Talvez. Nunca saberemos ao certo, mas se essa for a verdadeira intenção do ritual, que a pessoa que o fez obtenha sucesso em sua busca por prosperidade. Cada um com sua fé. Que Cacoal prospere!!! Na inteligência, na tolerância e no desenvolvimento das potencialidades de seus habitantes.