LACERDA ADVOCACIA
SAÚDE PÚBLICA

QUESTÃO DE VIDA OU MORTE: 13 PACIENTES DA HEMODIÁLISE APRESENTAM SINAIS DE INFECÇÃO AGUDA

13 PACIENTES APRESENTAM SOMENTE NO MÊS DE OUTUBRO SINTOMAS DE INFECÇÃO COMO FEBRE E CALAFRIOS

21/10/2021 14h01Atualizado há 1 mês
Por: REDAÇÃO

O Portal Estado de Rondônia já publicou 3 matérias denunciando contaminação da água da Hemodiálise de Cacoal após a intervenção da prefeitura.

Na primeira delas, as próprias médicas nefrologistas responsáveis pela clínica denunciaram ao Ministério Público a iminência desta contaminação.

Depois, o E.R. publicou um laudo, referente a análise da água utilizada no mês de agosto de 2021 na hemodiálise, de onde consta 3 amostras, referente a 3 máquinas de diálise, todas contaminadas.

Na data de ontem, 20/10, o Portal Estado de Rondônia publicou mais 2 laudos que confirmam super contaminações na hemodiálise nos meses de abril e maio deste ano.

Para rever as matérias clique AQUI, AQUI OU AQUI.

Também foi relatado que no periodo entre fevereiro e setembro, 33 pacientes em tratamento na clínica morreram, e que este número é mais que o dobro dos óbitos registrados no mesmo periodo do ano passado.

A INFECÇÃO PELA ÁGUA CONTAMINADA É REAL?

O Portal Estado de Rondônia teve conhecimento de que muitos pacientes que manifestaram pirexia (febre e calafrios) durante o periodo compreendido entre fevereiro e setembro de 2021 chegaram a realizar, por determinação das médicas responsáveis pela hemodiálise, exames de hemocultura ( exames de sangue com o fim de identificar bactérias que atacam o organismo dos pacientes), e que estes exames acusaram a presença de bactérias aquáticas no sangue dos pacientes. O E.R. irá publicar alguns desses resultados nas próximas edições.

A EVOLUÇÃO DA INFECÇÃO DENTRO DA CLÍNICA

O E.R. apurou com os proprietários da empresa atualmente atualmente sob intervenção da prefeitura que episódios de contaminação nunca foram registrados na empresa e que nunca houve um histórico de tantas mortes em tão pouco tempo.

Somente neste mês de outubro, a clínica já registrou 13 pacientes, admitidos no tratamento entre julho e setembro de 2021,  com sintomas de infecção, algo impensável para a rotina da clínica antes da intervenção da prefeitura.

Há pacientes infectados tratados em diversas máquinas de diálise.

Segundo a literatura especializada, as complicações que ocorrem com maior frequência em decorrência de do tratamento de hemodiálise são: hipotensão, hipertensão, cãibras musculares, náusea e vômito, cefaleia, dor torácica e lombar, prurido, febre e calafrios.

Os calafrios geralmente estão associados a infecções no acesso vascular relacionadas a reações pirogênicas, desinfecção da máquina de hemodiálise e ao tratamento da água. Estudos apontam para a ocorrência de calafrios relacionada à infecção em 60% dos casos, indicando o início do tratamento com antibiótico desde o primeiro episódio dessa complicação.

O Estado de Rondônia teve acesso ao registro destes pacientes em quadro negro afixado na sala de hemodiálise como orientação aos profissionais, sobre a atenção que alguns casos demandam pela sua gravidade:

 

 

 

Foram propositalmente omitidas algumas informações sobre os pacientes para evitar exposição dos mesmos. Todos os pacientes com calafrio estão de cateter e não foram submetidos a confecção de fístula artéria-venosa

HISTÓRICO DE CONTAMINAÇÃO EM HEMODIÁLISE

Após um surto de infecção bacteriana em 2016, uma clínica particular de hemodiálise Nefroclínica, em Goiânia, foi fechada pelas autoridades sanitárias.

Somente depois de completa desinfecção e de seguir as recomendações da Vigilância Sanitária local é que foi autorizada sua reabertura.

Na clínica em questão, bastou que  35 pacientes tiveram reação pirogênica, caracterizada, entre outros sintomas, por febre, calafrios e tremores, para que as autoridades sanitárias locais determinassem a suspensão das atividades da clínica.

Leia matéria completa sobre este episódio clicando AQUI.

Em Cacoal foram 33 mortes registradas após a intervenção da prefeitura e nenhuma providencia foi tomada e nem feito comunicado a ANVISA QUANTO AS CONTAMINAÇÕES, como a legislação impõe.

Conversamos com o Dr. Luís Parada, ex diretor da clínica sobre estes acontecimentos e ele informou que se naõ for tomada um atitude imediatamente, a infecção irá se alastrar pela clínica e uma tragédia irá acontecer. “É preciso parar tudo agora, contratar especialistas em desinfecção e reconstruir um sistema limpo para oferecer segurança aos pacientes. Do contrário, não será possível se eximir da responsabilidade" disse o médico especialista em hemodiálise.