LACERDA ADVOCACIA 2
OIO
Saúde Pública

CACOAL EM MÃOS INIMIGAS – O SEQUESTRO DE UMA CIDADE

Por Lúcio Lacerda

03/12/2021 07h49Atualizado há 1 mês
Por: REDAÇÃO

A cidade está sequestrada e ninguém age. Os gestores auxiliares não agem. O Conselho Municipal de Saúde não age. O Comitê de enfrentamento a pandemia não age. Tampouco o Ministério Público age.

A cada dia o sequestrador envia para os parentes da vítima um pedaço de seus membros. Orelha, dedos e cabelo.

A imprensa mais tradicional recebe dinheiro público para lançar um olhar seletivo sobre a administração pública e fala das vacinas, mas não fala das aglomerações promovidas pelo próprio poder público.

Isso não é uma situação qualquer. Há uma pessoa sem escrúpulos, caráter ou capacidade de administrar, exercendo a máxima autoridade municipal.

Uma pessoa que não ouve ninguém e não se detém diante de nenhum obstáculo. A lei não importa, o zelo não importa, as vidas não importam.

Tudo o que importa são os seus interesses.

O sistema jurídico brasileiro tem mecanismos para aos poucos ir inviabilizando a permanência de maus políticos na vida pública, mas nenhum desses mecanismos proporcionam a agilidade necessária para remover instantaneamente um criminoso do poder.

Isso porque não se supõe que haverá no exercício do poder um criminoso perigoso a destruir uma cidade da noite para o dia. Pensávamos que o sufrágio era uma garantia de que a sabedoria popular exercesse esse controle.

Não exerce. E agora temos um maluco na prefeitura, cometendo verdadeiras atrocidades com o povo, e com um pelotão de advogados públicos fazendo de tudo para tentar dar as arbitrariedades do prefeito ares de legalidade.

São os Jus lambancionistas que de tudo fazem para tentar legitimar, com algum discurso, as lambanças que o prefeito tem feito na administração do município.

Com essa finalidade, de proteger uma pessoa que exerce o poder temporariamente, e não de defender o interesse público, é que esses tais juristas de governo e não de estado, torcem a verdade até que ela fique irreconhecível, de modo que o juízo crítico comum não seja capaz de distingui-la de uma mentira qualquer.

Daí é que se tornam admissíveis situações absolutamente insólitas como as que vou enumerar a seguir para que não fiquem dúvidas sobre o genocídio que acontece nessa cidade no presente momento.

Com o início da política nacional de imunização da população para o Coronavirus, os casos da doença despencaram na cidade, e já no mês de setembro de 2021 víamos os números de novas contaminações baixar de centenas para menos de duas dezenas, em certos dias, sendo que na maioria dos boletins diários não registrávamos nem novos casos nem óbitos.

Em outubro de 2021 o prefeito quis fazer uma grande festa do dia das crianças no estádio municipal e ali promoveu uma imensa aglomeração com grande parte da população, tanto adultos como crianças, sem máscara. O prefeito compareceu ao evento vestido de Chapolim Colorado.

Não foram necessários muitos dias para que os casos diários de Covid 19 aumentassem no mês de outubro.

No final do mês, entre os dias 28 e até o dia 1º de novembro, foi realizada a programação da Exponorte, com a apresentação de vários artistas de destaque nacional, promovendo mais uma vez, imensa aglomeração na cidade.

3 dias passados do término da grande festividade da Exponorte, o boletim da Agevisa registrou 51 novos casos de Covid 19 em Cacoal. E nos dias que se seguiram foram registrados diversos aumentos de casos no município chegando a bater, várias vezes, a casa dos 60 casos diários, tendo sido registrado 100 casos em um único dia no fim do mês de novembro.

Entre o início da exponorte e o fim de novembro foram registrados 5 óbitos na cidade de Covid 19.

Enquanto isso tudo acontecia, o prefeito de Cacoal havia anunciado o empréstimo e cessão do espaço Beira Rio para a empresa que organiza o mega show de Gusttavo Lima na cidade, em troca de 300 cestas básicas.

A partir de então a promotora do evento passou a vender os ingressos antecipados anunciando o novo local de apresentação do show que seria o espaço público do Beira Rio. Os ingressos começaram a ser vendidos no mês de setembro.

Mesmo sendo evidente a conexão entre os novos casos e mortes por Covid 19 e as grandes aglomerações, o prefeito não apenas manteve a cessão do Espaço beira Rio para a realização do show do  Gusttavo Lima, como contratou um cantor gospel para se apresentar no aniversário da cidade em praça pública, ocasião em que o mandatário máximo da cidade foi a uma emissora de TV convidar a população para o evento, alertando-a de que na cidade ninguém estava obrigado a usar máscaras.

As imagens do evento não deixam dúvidas de que a dispensa da máscara funcionou e a maioria do público presente não estava usando o item de proteção individual.

Em 1 de dezembro, véspera do esperado evento com a celebridade sertaneja Gusttavo Lima, vem a público o contrato de cessão e uso do Espaço Beira Rio, que ninguém podia imaginar, foi assinado às pressas, somente em 29 de novembro de 2021.

Isso significa que a empresa promotora do show do artista, vendeu 10 mil ingressos antecipados, com valores que vão de R$ 350 a 20 mil reais, sem que tivesse um contrato escrito e assinado garantindo que o evento aconteceria.

No dia da apresentação do Artista no Espaço Público o boletim epidemiológico da Agevisa registrou 164 novos casos de Covid 19 em Cacoal, o maior número dos últimos meses, concretizando o efetivo retorno da pandemia a cidade.

Apesar disso, a prefeitura publicou edital de licitação para compra de fogos de artifício para os eventos de réveillon na cidade, o que sugere o empenho do município em mais uma aglomeração por ocasião da efeméride da confraternização universal de ano novo.

Nesta quinta feira dia 2 de dezembro houve uma reunião na câmara municipal, a portas fechadas, entre vereadores e o comitê de gestão e enfrentamento da Covid 19 em Cacoal.

O vereador Paulo Henrique se dirigiu aos membros do comitê perguntando se por acaso o colegiado, ou algum deles isoladamente tinha produzido alguma recomedação ou nota técnica informando dos riscos que esses eventos autorizados ou promovidos pela própria prefeitura impõem a sociedade e a saúde pública, ao que todos se silenciaram, especialmente a Secretária de Saúde, Janayna Gomes, tendo um deles justificado que o prefeito decide os eventos e naõ há anda que eles possam fazer.

Os casos de Covid 19 cresceram em meados de novembro em alguns município de Rondônia, especialmente Cacoal, onde o acréscimo de novos contaminados foi de 3,12%.  Porto Velho teve um aumento de 0,84% dos casos.

Em 25 de novembro a Fio Cruz Rondônia publicou uma nota informando que a variante Delta é predominante no interior do Estado, constataçaõ que põe em dúvida a efetividade da imunização realizada até agora para o enfrentamento das novas contaminações.

Diante do barulho que as aglomerações realizadas na cidade, por iniciativa do prefeito, ou com seu endosso, provocaram nas redes sociais, o prefeito disse que iria realizar vacinação em massa, em um esforço intensivo, visando a imunização daqueles que se recusaram por qualquer razão a tomar a vacina.

O problema é que  não é uma estratégia eficaz promover aglomerações ao mesmo tempo em que vacina, pois os imunizantes em geral necessitam de 15 dias de janela para que sejam eficazes, e ainda porque as pessoas que testam positivo para a doença devem aguardar a recuperação para que sejam imunizadas. Isso sem falar que há variantes que evoluíram para neutralizar os imunizantes.

Os péssimos resultados dessas aglomerações virão e nem o prefeito tem dúvidas quanto a isso, tanto que ja´tenta arranjar uma explicação, dizendo que o problema serão as reuniões familiares de fim de ano, e naõ os eventos públicos onde as pessoas tem se aglomerado.

A cidade está sequestratada, e amordaçada. Nenhuma manifestação cabe a vítima, imobilizada diante de seus agressores. Tudo que se ouve são as proposições dos sequestradores, que nesta condição, são toda a verdade que existe.

Assim agem os sequestradores. Aprisionam suas vítimas e exigem condições para seu resgate.

A grande diferença deste caso é que a condição pretendida não é para resgate, mas para manutenção do aprisionamento.  Querem nos convencer de que é bom para a cidade que esteja sob a tutela desses que impõem seus interesses acima do coletivo, a qualquer custo, contra qualquer voz.

A outra diferença é que neste caso todo mundo sabe quem são os sequestradores e o endereço do cativeiro. Mas ninguém age.