LACERDA ADVOCACIA 2
OIO
POKER E POLÍTICA

ABUSOU DO GAP - SENTENÇA DA DETALHES CRIMINALIZA PARTIDA DE POKER

JUIZ VÊ PROPINA EM PARTIDA DE POKER

17/12/2021 07h35Atualizado há 1 mês
Por: REDAÇÃO

A sentença do processo relacionado a operação detalhe, tornada pública no último dia 10 de dezembro, na parte em que o juiz fundamenta a suposta existência de uma organização criminosa no município, o magistrado, ao tentar compreender como funciona a vida política e as negociações partidárias dentro de um parlamento, conclui que tanto as articulações do executivo com o legislativo, na busca por votos que atendam seus interesses, quanto uma simples partida de poker, são ações criminosas.

A partir de uma interceptação telefônica em que um vereador convida outro para uma mesa de poker, com cacife de 500 (cacife, na linguagem do poker é a quantidade mínima da aposta para continuar na mesa) o juiz chega a conclusão de que o cacife se refere a uma propina de 500 mil reais, segundo seu entendimento, usada para comprar 10 vereadores da casa para votar contra a CPI do Padre Franco.

Essa análise tem dois problemas. O primeiro é que a investigação jamais encontrou qualquer vestígio desses 500 mil, e o segundo é  que nem eram necessários os 10 votos para evitar a CPI, além do fato de várias testemunhas terem esclarecido que a conversa telefônica se referia realmente a uma singela e inofensiva partida de poker na casa do Flavinho.

 

TRECHO DA INTERCEPTAÇÃO TELEFONICA QUE O JUIZ CONSIDEROU “REVELADOR”

 

“Paty: Fala meu vereador.

Bruno Trevizani: Eae presidente.

Paty: Diga meu rei. Bruno

Trevizani: Rapaz tamo numa reunião aqui no Flavinho.

Paty: É nada.

Bruno Trevizani: E tá lotada a mesa viu.

Paty: O mais aí fico bom de mais.

Bruno Trevizani: É um cacife de 500

Paty: É nada?

Bruno Trevizani: É, você tem 5 minutos para chegar viu.

 Paty: Tá beleza.

Bruno Trevizani: Tchau.

 

COMO O JUÍZ ENTENDEU A CONVERSA:

 

(...) “O resultado das interceptações apontou também que Emílio Mancuso não mediu esforços para manipular o voto dos demais referente ao arquivamento da CPI da saúde, mediante percepção de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Nesta toada, é o teor do áudio interceptado, em 10/04/15, entre o Presidente da Câmara Emílio Mancuso e o vereador Bruno Trevizani, que este chama aquele para uma reunião com demais vereadores da base aliada, onde o cacife é de R$ 500, fazendo alusão percepção de meio milhão de reais.” (...)

  

É notório, pelo texto da conversa,  que o então vereador Bruno Trevisani, ao convidar o vereador Paty Paulista para a partida de poker, não diz que estava reunido com outros vereadores, nem que era uma reunião política, mas deixa claro que era uma partida de poker.

O ex prefeito de Cacoal, Padre Franco, ao comentar este tópico da sentença disse a seguinte frase em latim: "QUIDQUID RECIPITUR AD MODUM RECIPIENTIS RECIPITUR": " Tudo o que se recebe, recebe-se segundo a forma do recipiente"