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CACOAL SEM RODEIOS – A COMUNIDADE DE APLICATIVO ONDE CACOAL FERVILHA E FLORESCE

Por Lúcio Lacerda

19/12/2021 11h11Atualizado há 4 semanas
Por: REDAÇÃO

De todos os grupos de WhatsApp que existem em Cacoal, nenhum é tão heterogêneo como o Cacoal Sem Rodeios, fundado no início do ano de 2017, pelo Professor Xavier e Ademarzinho, duas figuras muito conhecidas da cidade, e que se situam em espectros partidários opostos.

Ademarzinho, ex secretário do governo Ivo Cassol, militante na nova direita alternativa bolsonarista, e Xavier Gomes, professor, jornalista e líder sindical, não pareciam ter muitas razões para começarem uma conversa amistosa, mas contrariando todas as expectativas, eles acabaram criando o maior e mais construtivo foro de debates sobre política municipal e estadual que a cidade já viu, onde os membros se chamam uns aos outros de "poeta".

Formado por pessoas de todas as ideologias e variadas profissões, o Cacoal Sem Rodeio reúne servidores públicos, empresários, jornalistas e proprietários de veículos de comunicação, operadores do direito como magistrados, advogados, públicos e privados e membros do MP, além de trabalhadores nas mais diversas atividades dentro do município.

Se quer perguntar ao presidente do SAAE a razão da falta d’água em seu bairro, ele está no grupo e responde em tempo real. O mesmo acontece em relação a Secretária de Saúde e muitas outras autoridades, que não raras vezes, recebem questionamentos mais ou menos constrangedores, daí porque apenas três vereadores resistiram a intrepidez do grupo e lá permanecem, são eles Peagá( Paulo Henrique), Kapiche e Corazinho. O atual presidente da Câmara Municipal de Cacoal, aos primeiros sinais de cobrança popular, abandonou o grupo.

Políticos que estão acostumados a receber apenas “parabéns” em grupos de WhatsApp não se criam no Sem Rodeios, diz Xavier Gomes, garantindo que o grupo que criou, em virtude da qualidade das pessoas que o compõem, não é apenas um foro de debate, mas uma câmara de  transformação da cidade pela interferência direta do povo.

Xavier relembra que em várias ocasiões, questionamentos iniciados no grupo, ganharam as ruas e ecoaram nos corredores dos poderes, fazendo com que leis fossem derrubadas, ou aprovadas, assim como ações implementadas em prol da sociedade, em decorrência de reivindicações que tiveram seu nascimento em debates no grupo.

As relações no grupo nem sempre são totalmente amistosas, há debates absolutamente acalorados e passionais, mas tudo quase sempre termina  em “cerveja comunista”, nome pelo qual os membros do grupo chamam a marca Heiniken, que embora seja um produto elitista para os padrões do trabalhador comum, ostenta uma estrela vermelha como a do Partido dos Trabalhadores.

O Cacoal Sem Rodeios já chegou a organizar um churrasco para os membros do grupo,  onde quase 200 pessoas compareceram e colocaram a conversa em dia, além de manterem o primeiro contato com outros membros até então desconhecidos do círculo presencial.

O grupo também é uma fábrica de apelidos, quase sempre jocosos, que pegam para nunca mais se dissociarem daqueles que os recebem. “ Iraci com I”, “Daniel de Pentecostes”,  “SEO Antunes”, “Geo-deão”, “Tia do Zap”, Diego Mala e “Lúcio de Pelúcio” são alguns dos exemplos de alcunhas atribuídas no grupo que seguem acompanhando as respectivas personalidades que identificam.

Nesse grupo que transborda cultura, até o município de Cacoal tem uma erudita alcunha de “Urbe Obediana”, em alusão  a um célebre descendente daquele que é reputado o seu primeiro habitante, Anísio Serrão.

Cacoal Sem Rodeios tem hoje cerca de 200 membros, e todos os membros do grupo são adicionados somente por indicação.

Os políticos da cidade que não pertencem ao grupo buscam a todo custo obter dos membros informações sobre as conversas e debates que lá ocorrem para se prevenirem sobre algum assunto sensível que possa vir a vazar e tomar as ruas.