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LACERDA ADVOCACIA 2
NATUREZA

ALAGAMENTOS EM CACOAL. UMA QUESTÃO DE PUBESCÊNCIA E FIO DE BIGODE

Por Lúcio Lacerda

19/02/2022 06h18
Por: REDAÇÃO

Há cerca de um ano, quando o prefeito de Cacoal anunciou que iria mudar a sede da prefeitura municipal para o complexo Beira Rio, eu escrevi que, o motivo pelo qual caiu de moda a construção de sedes do poder administrativo à beira de rios e vulcões, era a possibilidade de enchentes e erupções.

Como é de costume, o chefinho não se deteve e continuou, possivelmente de maneira irregular, a mudança de destinação do Espaço Beira Rio, com a realização de obras de improvisação, visando transformar  um espaço planejado para ser uma área de lazer, em uma sede de prefeitura.

Nesta sexta-feira, dia 18 de fevereiro,  ali pelas 6:00hs, eu disse no grupo de WhatsApp Cacoal Sem Rodeio que a quantidade de chuvas que havia caído até aquele momento ( estava chovendo desde a noite do dia anterior) iria trazer consequências.

Nenhum comunicado da defesa civil havia sido dado até então. Nenhuma notícia publicada em nenhum veículo de comunicação. Mas eu, e todos os que não estavam dormindo, sabiam que horas de chuvas torrenciais haveriam de dar problema e que isso desafiava a intervenção enérgica do poder público.

Uma hora depois, começaram a pipocar nas redes sociais de Cacoal diversos vídeos amadores mostrando vários alagamentos e pessoas ilhadas em vários bairros da cidade.

A defesa civil, que parece não ter realizado nenhum trabalho contingencial ou preventivo durante todas as horas de chuvas torrenciais que anunciavam, minuto a minuto, as suas evidentes consequências, também não apareceu em nenhum desses vídeos de inundações publicados na internet.

Somente perto de meio dia, é que o Jornal Tribuna Popular, publicou um comunicado da defesa civil de Cacoal, que informava que havia chovido muito, disponibilizava o telefone da instituição, e recomendava aos condutores que evitassem trafegar em vias alagadas.

Ótimo. Agora era só pegar o GPS, verificar quais eram as vias alagadas, optando pela rota mais seca.

Nas horas que se seguiram a chuva continuava, e os particulares, e não a prefeitura, é que ostensivamente protagonizaram as ações de socorro as pessoas  atingidas pelas inundações.

No grupo dos advogados de Cacoal, viu-se duas advogadas, Dra. Meuri e Dra. Julinda pedindo barcos para resgate de pessoas ilhadas, e nenhum piu das autoridades do município sobre o assunto.

Empresários e cidadãos pediam doações, mobilizavam esforços e se organizavam pra ajudar essas famílias, enquanto o município não dava uma satisfação a população.

O prefeito só faz live para se engrandecer, mas quando há um problema que exige um homem feito para enfrenta-lo, ele desaparece. (ele também desapareceu nas duas últimas ocorrências de alagamento em Cacoal, embora ambas tenham sido menos graves que essa última)

Parte dos vereadores não estavam na cidade, mas o vereador Kapiche, que chegou de viagem depois que tudo já estava inundado, correu para a BR 364, no trecho sobre o rio Piarára, e gravou uma live como se estivesse empenhado na solução desde a madrugada.

O objetivo deste texto não é dizer que a prefeitura e a defesa civil não fizeram nada quanto ao ocorrido, e nem negar o caráter natural dos fenômenos verificados na cidade. Mas atentar para o fato de que existem várias maneiras de se enfrentar situações difíceis.

A primeira delas é evitando (não o fenômeno natural, mas suas consequências mais danosas). Ou se inevitável, agindo antecipadamente para tornar as consequências do fato menos graves e de mais fácil superação.

O prefeito e seus técnicos precisariam conhecer apenas duas palavrinhas para melhor enfrentar com mais eficiência a calamidade natural. PREVENÇÃO E PRECAUÇÃO.

Quem tem filhos adolescentes sabe muito bem que para os nossos pequeninos impúberes prevenção e precaução são coisas tão distantes quanto dois pequenos arquipélagos da Ásia.

Nos garotos é normal esse tipo de alienação, mas não nos gestores públicos.

A prefeitura, através de seus órgãos próprios, não foi capaz de prever as cheias do rio Machado, tanto que nega essa possibilidade e insiste no disparate de mudar a prefeitura para a beira do rio.

No caso presente, a prefeitura não pôde se antecipar, madrugada a fora, em alguma ação informativa e de mobilização, mesmo que já era altamente provável que haveriam alagamentos e desabrigados ao amanhecer.

A defesa civil só emitiu um alerta impreciso depois que tudo o que tinha de acontecer já havia acontecido.

As autoridades municipais precisaram improvisar tudo no socorro às vítimas, porque não tinha planejamento, plano de mobilização ou contingencia, equipamentos ou capacidade de previsão.

Que fique claro que a falta de capacidade de previsão e planejamento é a marca desse governo municipal. Isso não é um problema de instrução ou qualificação formal dos gestores, mas é antes, uma questão de pubescência e fio de bigode.