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CULTURA

A BÍBLIA, O JABUTI E A PÓLVORA

Por Lúcio Lacerda

28/02/2022 13h02Atualizado há 3 meses
Por: REDAÇÃO

Crentes de todas as denominações cristãs, se apresentam muitas vezes como seres hipócritas e sem compreensão mínima da mensagem cristã. Esse levante neopentecostal que idolatra políticos, armas e clama por intervenção militar me faz recordar com saudade os registros do catolicismo brasileiro do século XVII. Ali por 1626 o consumo de jabutis era uma febre no Brasil, tanto por paladar quanto pela falta de opções. Comia-se tanto jabuti naquela época que os jabutólotras não perdoavam a iguaria nem na Sexta Feira da Paixão.

Indignado com o sacrilégio, o Frei Cristóvão de Lisboa mandou uma carta ultimato proibindo a catolicidade brasileira de comer jabuti nos dias de peixe.

A resposta tanto da beataria quanto das lideranças religiosas brasileiras foi a seguinte: - Jabuti é peixe.

Sei lá. Talvez naquela época não estivesse ainda muito claro que o jabiti era um quelônio terrestre.

Décadas depois o Padre Antônio Vieira se mostrou um voraz degustador de Jabutis, e de lá pra cá o povo parou de comer jabutis e passou a ser comido por tubarões da política.

A política a propósito, não deveria estar tão próxima da religião.

Os crentes de hoje que defendem o poder da pólvora não se dão nem ao trabalho de dar uma resposta a estas questões. Poderiam dizer " O Ustra era um homem de Deus" , "Jesus tinha um 38" ou "Cristo veio para defender a intervenção militar dos romanos contra a judéia". Mas nem pra isso servem.

Adoram o capeta sem citar o nome.  Política encima do púlpito de igreja é como jabuti.

Não foi parar lá sozinha.

Ou foi enchente ou mão de gente.