Dia da Mulher

A torre das donzelas

Professora Luzenir Mota

07/03/2020 12h10Atualizado há 1 ano
Por: REDAÇÃO

Torre das donzelas.

 

“As mulheres sempre estiveram presentes nos movimentos de contestação e mobilizações ao longo da nossa história. No período da Ditadura não foi diferente. Elas resistiram de muitas formas: se organizaram em clubes de mães, associações, 

comunidades eclesiais de base, em movimentos contra o custo de vida e por creches. 

Desafiando o papel feminino tradicional, participaram do movimento estudantil, partidos, sindicatos. Também, ainda que sempre em menor número que os homens, pegaram em armas, na tentativa de derrubar o regime militar. Foram duramente reprimidas. Foram elas ainda que iniciaram o movimento pela anistia.” 

Tivemos Crimeia de Almeida que ao sair da prisão, passou a procurar por seu marido, Andre Garbois, Diva Santana procurava por sua irmã Dinaelza, Rosalina Santa Cruz procurava por seu irmão Fernando Santa Cruz (Pai do atual presidente da OAB Brasil). Existem ainda capítulos que a história faz questão de esquecer, 377 agentes da repressão que praticavam até estupros. Que caminho trilharemos, quando o presidente de uma nação faz questão de nos ignorar, maltratando a imagem da mulher.

Devemos reagir, tomar nosso lugar, mostrar a nossa importância. Por que não somos mais complemento de rendas, estamos ativas, não podemos tolerar mais assassinatos bizarros como o de Araceli (8 anos) e Ana Lídia (7 anos), estupradas e assassinadas durante a ditadura. E, quantas de nós já fomos “assassinadas”, perseguidas,vitimadas, seja por reivindicar direitos, seja por ser autêntica. O comportamento do homem ignorar o desempenho e crescimento profissional de nós mulheres é típico do machismo e precisa ser combatido. Não devemos permitir que episódios como os relatados marquem nossas vidas para sempre.

Trago esta discussão para a realidade da sociedade Rondoniense, porque vejo pouco avanço na participação da mulher e muita submissão, pouca participação na vida política, voz baixa em suas reivindicações, quando reivindicam, muitas presas em uma espécie de Torre das Donzelas (uma prisão feminina no alto do Presídio Tiradentes em São Paulo), além disso muitas torturadas física e psicologicamente, embora permaneçam vivas e no mais absoluto silêncio. Devemos repensar nossas ações, precisamos nos unir em prol de um objetivo comum.